Qualquer bituca pode causar um incêndio
  Uma resenha para o meu pai

Vai ter Paul no Brasil. Foi alvoroço, mas eu não me empolguei. Na herança musical que você me deixou, os Beatles não estavam inclusos, apesar de ser uma das suas grandes paixões. Ficou Chico, sertanejo de raiz, Dire Straits, Pink Floyd e muitos outros, mas os Beatles, acho, eram coisa só sua e não colaram em mim. Abri mão. Fiquei com preguiça de show em estádio e de correr atrás de ingresso (caro!). Mas claro que fui perguntar se você ia. A resposta: “Não, eu sou da turma do John”.

Mas o destino quis me colocar lá. Fui sorteada pelo RH do UOL e ganhei um par de ingressos para o domingo. No sábado, contei pra você que ia no show. E te contei a piada que ouvi de amigos sobre sua posição em relação ao John: “Fala pra ele chamar na mesa branca”. Era para ser engraçado, mas acho que te chacoalhou e você entendeu que o John está morto e o Paul está aí, levando o nome dos Beatles pra frente. Tanto que no dia seguinte você me ligou cedo para contar que também ia. Tinha comprado ingressos para segunda-feira.

E lá fui eu. Sem pressa e sem pretensões. Cheguei em cima da hora. Perdi o começo, mas não peguei fila. Fiquei no corredor de acesso à arquibancada, para não enfrentar o tumulto de subir e poder ficar perto da cerveja e do banheiro. O palco estava longe, mas de frente, e o som estava perfeito.

Eu não sei quais músicas são dos Beatles e quais são da carreira solo do Paul. Eu não sei qual música é do John e qual é do Paul. Mas definitivamente eu me conectei com as mais de 60 mil pessoas que lotavam o nosso estádio. Paul McCartney emocionou. Mostrou por que o rock é pop e o quanto isso é legal. Mostrou o quanto ele tem propriedade para falar pelo grupo. O quão autêntico pode ser um Beatle que envelhece assumindo sua humanidade, seu romantismo e seu lado brega. E o quanto as pessoas podem evoluir, vide a excelência da música e do espetáculo. Tudo isso me remeteu a você.

Arrepiei várias vezes da cabeça aos pés. Cantei músicas que nem imaginava que sabia. E dancei. Pensei em você o show inteirinho. Em como deve ter sido legal fazer parte da geração Beatles. E em como você se sentiria vendo tudo aquilo no dia seguinte.

E tudo fez sentido hoje de manhã. Quando, pelo telefone, você me disse que foi o melhor show da sua vida! Foi da minha também!



Escrito por Bruna Monteiro de Barros às 11h58
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